Criar... Criar é sempre bom. Mas a gente raramente cria alguma coisa... A gente reinventa. Adoro reinventar histórias... Adoro os personagens que se fazem presentes. As suas possibilidades. As suas dores, as suas alegrias fantasiosas... Adoro fazer isso antes de dormir. Ando não refletindo muito sobre a vida. É difícil escutar dos outros que a gente tem que pegar as rédeas da vida e decidir que rumo tomar. Traçar metas. Planejar. Não sei fazer isso. E, sinceramente, não quero. NÃO SEI é a palavra de ordem do momento. Não sei para onde vou. Não sei o que fazer com os meus pertences. Não sei o que fazer com o que sinto. Não sei que caminho seguir. Sabe quando tu chegas numa encruzilhada. Senta. Olha em volta. Algumas possibilidades. Milhares de possibilidades. Uma verdadeira página em branco. O passado não interfere em nada mais. É como se a vida tivesse começando agora. E sei que não posso ficar parada vislumbrando a encruzilhada. Sei que tenho que seguir por um caminho. Subir numa dessas carroças que vêm indicando um destino. Mas no momento não sei. Espero um sinal divino. Espero que algo mexa comigo. Porque, sinceramente, nada me afeta. Todas as dores, tudo que já passei, nas centenas de vidas que já tive, só me tornaram insensível. Completamente insensível. Quando acontece algo, só tenho a dizer: de novo, já sei que passa. Não vou me machucar por isso. Não vou sofrer por isso. Não vou me desmontar por isso. Passa. Passa mais rápido se eu não me importar. Se eu não fizer nada em relação a dor. Simplesmente ignorá-la. Acho que já não tenho mais aquela capacidade, que sempre tive, de dramatizar. De me sucumbir. De sentir a dor dos poetas, pois sem tristeza não se faz um samba não - Cansei de ser um personagem de mais uma desilusão. Agora vou ficar sentadinha aqui mais um pouquinho... Vislumbrando as possibilidades. Fazendo listinhas. Para enfim... subir numa carroça...
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