Sábado a tarde. Nada para fazer. A M. telefona: vamos num clube das mulheres às 16h? -Clarooooo! Por que não? Nada para fazer mesmo. E lá fomos nós. Para o outro lado da cidade. E põe outro lado nisso. Chegamos no ponto de encontro. Um cemitério. O sol queimando a alma. E nós ali, estacionadas na frente do cemitério. Só me perguntava: quem teve a bendita idéia de marcar de se encontrar em frente ao cemitério. Por que não num posto, assim a gente podia tomar umas cervejitas. Mas enfim... Após uns 20 minutos chegam todas as gurias. E vamos que vamos!!! Carreata para o clube das mulheres. A M. tendo um surto de vergonha. Já que estávamos num bairro afastadíssimo e o único caminho que nos levava ao tal clube, só levava para lá. Chegamos depois de muitos quilômetros bairro adentro. E a vergonha da M. só aumentava. Logo na entrada, ela pega o folder com fotitas dos bombados que se apresentariam e solta um berro: "Meu Deus, eu saía com esse piá!" É né, a gente nunca sabe direito o que faz de verdade um bombado... Entramos. Todas encabuladas. Lá dentro. Umas 70 mulheres se acabando de dançar música eletrônica e se esfregando em uma dúzia de bombados. "O que mesmo estou fazendo aqui?" - Uma cervejita, pleasseee! E uma facada no bolso. Um verdadeiro assalto. Enfim... Já estava ali. Uma das gurias, cliente assídua, começou a apresentar os bombados. Que chegavam todos respeitosos... Ou nem tanto. Mais um gole na cerveja. Bem devagar. Vamos para o meio da pista. Já estava me acabando de rir. E começando a teorizar. O que leva mesmo uma mulher a frequentar um lugar deste? A se tornar cliente? O que leva um cara a ficar se requebrando e dando tapinhas na própria bunda? Imagina o namorado ou marido fazendo aquilo. Eu ia ter um acesso. Ficaria rindo uns três dias seguidos. E fiquei ali no meu canto, observando. A mulherada se esfregando nos bombados que faziam caras e bocas. Mais um cerveja. E a contabilização ecoando na minha cabeça. Quando começou o show, a euforia foi inacreditável. A mulherada surtada. Depois de duas cervejas. Vamos entrar no clima também. "Uhuuuu, gostoso!!!" No terceiro show já estava cansada. E cada vez mais teórica. "De que adianta ficar se esfregando num cara que não vai te comer? Ficar com tesão assim para quê?" E a mulherada cada vez mais ensandecida. Já que estava com o pé na lama mesmo, resolvi pedir uma dose... Acabou o show. Começou a putaria. Brincadeiras para se amassar no escuro com os bombados. Três gurias, que estavam no nosso grupo, foram para lá. E o restante ficou esperando... Eu já estava louca para ir embora... E minha cabeça começou a doer... Saí de lá, com a conta bancária um tanto mais baixa e com uma certeza sobre as minhas teorizações: quando tiver nada para fazer num sábado a tarde, vou continuar sem fazer.
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