Que vontade é essa que toma conta de mim de querer sumir do mundo, como se desaparecendo tudo em volta ficasse melhor? Por um momento chego a pensar que ficaria mesmo. Sem esse aperto no peito e essa aflição alucinógena que quer a todo instante me tirar da realidade.
Para que viver dessa forma, senão estou feliz? Se me cobro a cada instante? Se me pergunto: o que estou fazendo aqui? E que total perda de tempo é essa? Sou uma profissional sub-utilizada, num trabalho medíocre. A minha luz se apaga um pouco a cada dia e ninguém percebe que por dentro já estou fraca.
O tédio já faz parte do meu cotidiano. Nada é tão bom que me faça despertar deste marasmo irritante. E o que estou fazendo aqui? Mais uma vez essa questão ronda o meu pensamento.
Poderia ir para China, talvez Marte... Preciso de férias, mas ela não vai ser suficiente. Tem a volta. E, de verdade, não tenho a mínima vontade de voltar para onde estou. Já não sinto mais prazer, nem ânimo, nem esperança. Nada vai mudar.
Preciso mudar eu. Tomar uma decisão. Sair dessa inércia cômoda em que me encontro. Na verdade, sei que sou a única culpada por estar me apagando aos poucos. Sei que não faz diferença para mais ninguém: só para mim.
Sei muita coisa. Tenho muitas certezas e ao mesmo tempo tantas dúvidas. Mas algo que faz perceber que não há mais como continuar. Já não tenho mais forças... Já não tenho mais brilho, nem alegria. Tenho apenas vontade de fazer algo que não sei o que é... Algo que não me fira, que não me mate...
Serei eu o ser mais incomodado e insatisfeito que exista? E essa gripe que não passa. Quero fugir de tudo aqui, mas quero algumas certezas. Não quero mais bancar a louca... Quero voltar a ter prazer no que faço, no que gosto, na vida...
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