quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Confusão

Alguém tenta me conhecer e se encanta com os trejeitos e com esse rosto que reflete o que não sinto. Claro, os olhos continuam vermelhos. Os olhos acordam vermelhos. Mas ele não percebe a dor. Ninguém percebe o vazio. Está escondido, na gargalhada gostosa que sai sem querer enquanto cruzo uma esquina. É a superfície enganando os tolos. Sou eu vestindo mais um personagem. Qual será dessa vez? Sempre me escondendo. Não quero mais dar explicações. Nem tentar entender o vazio, que já não dói.
Também já não sei como me esguivar das pessoas que vêem graça no meu ser. Sim, não sou capaz de nada. Nem de me entregar por uma coisa à toa. Encerro ciclos como compro pastel no outro lado da rua. Olho pela janela enquanto fumo um cigarro e os transeuntes são apenas pessoas... O ser humano já não me seduz mais. Talvez seja o livro que esteja lendo e parece não ter fim... Também quem é capaz de escrever um livro chamado "A Náusea"? Pior sou eu que há mais de meses tento terminar essa droga. Sou teimosa, como se teimosia fosse uma virtude... Que defeito grave...
Pelo menos sou capaz de olhar no espelho e reconhecer esse rosto. É que muitas vezes não lembro que eu sou assim. Mas quando olho no espelho vejo sim, essa sou eu. Também ouço mais do que vejo. São vozes sem rostos. Personagens perdidos, cujas faces geralmente não condizem com o que falam... Todo mundo é assim... Sim, eu não sou diferente de ninguém...
Irrita-me as pessoas que querem discutir sem ter argumentos... Irrita-me muito. Elas e seus pensamentos superficiais. Eu não tenho paciência. Escuto. Tento argumentar, mas o pior que são teimosas... Oh teimosia. Então esqueço... Prefiro conversar com os meus. Os semelhantes que pensam semelhante. Que quando não pensam semelhante, pelo menos têm argumentos... Ah... os meus...
Também quero casar... Nada a ver com momento... Nada a ver. Estou confusa como esse texto. Parou de chover... Hoje eu não chorei. Não ainda... Que bom. Hoje eu ri... E fui pedida em casamento, mas não quero casar. Não com quem pediu. E ele disse: eu te amo. E era uma mentira tão grande como o pedido de casamento... Mais um... E eu só quero ficar só... Meu mundo está fechado para visitação. Por quê? Eu podia simplesmente me apaixonar... Mas nem isso... E as pessoas que ouço estão felizes. E existem anjos na vida delas... E elas se casaram... Oh Deus!!! O que há comigo? Esse vazio...

Um comentário:

Unknown disse...

Oi guria...
Escrevo pra dizer que estou sempre lendo seus posts e que gosto muito da forma como você escreve. Indentifico-me não só com suas histórias, mas com o que há por traz delas.
Adoro você.