quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Perto dos anjos

De volta... Depois de alguns dias... A volta... E a certeza de que lá estava melhor que aqui. Não. Não tinha nada demais. Não tinha mar. Não tinha rio. Não tinha cervejinha no fim de tarde e nem tinha amigos contra-argumentando. Não. Não tinha nada disso. Mas tinha um barulhinho bem singular todo dia bem cedinho... Era ela que chegava e acordava a casa toda. Era ela...
Tão pequenina e ocupava todos os cômodos. Tão risonha. Até o meu mau humor matinal característico sumia. Sumia porque ela sorria e dizia: quer café? Sim... quero café, mas antes um beijinho... E com seus pequeninos braços ela circundava todo o meu pescoço...
Quinze dias de sua presença angelical... Quinze dias perdida no interior e na supremacia do seu poder encantador. Quinze dias e não quero mais nada... A não ser vê-la de novo. E ouvi-la cantar. E vê-la dançar. E vê-la sorrir. E por um instante até seu choro. E por um instante até suas birras são divertidas. E por um instante é bom lembrar...
Lembrar do banho... Lembrar do desenho... Lembrar dos filmes... Da princesa. Do Shrek. Daquela gatinha sem boca... Dos desenhos... É. Devia ter aprendido a desenhar um hipopótamo. Mas enfim... O bom mesmo era ouvir: tia Angélica, quero colo!!! E quando ela ia embora e soltava um "amo você", assim, do nada, que desmontava... Quinze dias assim. Não preciso de mais nada. Oh sim... De repente a vida real clama por mim... E não me deixa viver mais uns dias perto dos anjos.

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