
Dessa vez vou retornar a um tema que vira e mexe se torna uma freqüente na minha vida. Saudade. A saudade está sempre presente. Saudade de uma pessoa querida, de várias pessoas queridas. Algumas estão tão longe. Outras tão perto, mas a correria dos dias me impede de passar mais tempo com os meus. A saudade que pesa hoje é uma melancolia.
Sempre que passo por aquele prédio que ostenta o passado e o conhecimento, olho para cima. E me vejo lá, dançando. E olho para aquela escada, na qual muitas vezes me sentei na companhia da minha mais recente menina. Minha Pedrita, que não seja pedreira, mas sim uma engenheira. E que dança. Dança lindo. E é minha menina, pois é mais menina que as duas que tenho desde que nasceram.
Saudade sim. Das horas passadas ao lado da única que nunca me abandonou. Tão linda. Tão genuinamente menina. Sim. Ela dizia coisas do tipo: não, esse cara tem 27 anos, é muito velho para mim, fico pensando o que esse cara vai querer comigo? Se tem um monte de mulher da idade dele, que tem papo! O que eu vou conversar com ele? Sobre vestibular? Trote? Não. Esse cara não devia estar afim de mim. E eu soltava uma gargalhada. Velho? Olha para mim. Eu tenho essa idade. E ela tentava consertar. Minha menina!!
Esse ano não a terei nas tardes de semana. Não a terei nas tardes de domingo. Não terei sua companhia diária. Não terei uma cervejinha às quatro da tarde. Só porque estou afim e só porque ela é jovem e pode se dar esse luxo. Cervejinha para a qual nós contávamos moedinhas. - Ah sim, dá para tomar duas. Naquele boteco barato, é óbvio.
Sim. Esse ano a idade me chama. O trabalho me chama. As responsabilidades não me dão paz. Esse ano não poderei dançar assim. Não deixarei de dançar. Mas nunca mais será assim. E as nossas tardes nunca mais serão as mesmas. E eu sentirei muita, mas muita saudade da minha Pedrita.
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