segunda-feira, 26 de maio de 2008

Churrasco só para mulheres

Sexta-feira. Algumas mulheres surtadas resolvem fazer churrasco. Tudo muito combinado no dia anterior. O namorado de uma delas vai para assar a carne. Outra faz a maionese e passa em casa para irmos ao mercado. Surto já na entrada. Um homem faz um manobra ilógica e quase bate no carro onde estávamos. Já começamos bem... Compras para churrasco!!! Quem sabe fazer isso? Quanto de carne? Pão, farofa, tomate e cebola, molho de mostarda para carne... Enfim, depois de quase uma hora e de deixarmos no mercado uma pequena fortuna, posso finalmente fumar um cigarro. Chegando no apartamento da guria que alugou a churrasqueira para esse nosso evento catastrófico, notei que ela estava passando muito mal. - Já passa, ela disse. Putz, pensei na hora, isso não vai dar certo. Pois bem. Depois da fortuna no mercado, o que poderíamos fazer??????? Colocar a cerveja para gelar. A outra vai temperar a carne. E cadê a guria do namorado? Ou melhor, o projeto de homem que vai acender a churrasqueira. Depois de alguns telefonemas, descobre-se que eles não vão aparecer. Surto coletivo. E agora???? Um bando de mulher surtadas... A guria que não estava bem teve um surto a parte quando soube que nós enfrentaríamos uma noitada após o churrasco. - Para que fazer isso então? Vocês vão sair daqui antes das dez... Putz, fazer a guria entender que fucinho de porco não é tomada foi mais um drama... E o drama maior ainda estava por vir. Vamos então fazer o fogo. E lá vão elas... Todas maravilhosamente perfumadas. Eu, num salto 10. Uma calça clara. Uma blusinha decotada. Brincos e bracelete... Encarei o saco de carvão. E agora? Álcool. Fogo... - Traz jornal. Abana. Abana. Abana. Essa cena fica à parte. A divina aqui, com todo aquele traje já citado, com uma mão na cintura e a outra abanando a churrasqueira. Uma das cenas mais bizarras... Cômica mesmo. Afinal pior não poderia ficar. Naquele acende ou não acende, disparo: - Se conseguir acender esse fogo, não preciso mais de homem... Só para sexo casual. E eis que o fogo se propaga. Colocamos a carne. O pão de alho... Felizes da vida. Ou melhor, nem tanto. A dona do apto dá mais um surto. - Estou passando mal, vocês têm que ir embora... - Como assim???? Climão, climão, climão. Isso que ela ligou para o ex de uma das gurias enquanto estávamos naquele acende, não acende para que o cara, que morava ao lado, pudesse vir nos dar uma mãozinha. O cara tinha acabado de chegar quando ela começou a surtar. Vergonha coletiva. Climão. - Agora espera a carne assar e a gente comer... - E a guria teve uma crise... E dá-lhe cerveja. Depois de comer sem respirar com a pressão da louca para que fossemos embora. Guardamos as sobras. E descemos. Vamos continuar a beber aqui embaixo. E lá ficamos encostadas no carro por mais duas horas se enchendo de bebiditas e fazendo o ex da outra rir com tantos discursos feministas. - Agora sim, não preciso mais de homem. Troco lâmpada, instalo chuveiro e até churrasco eu faço. Quem vê até pensa... Claro que preciso de homem. Mas não de homem para essas atividades tipicamente masculinas e que eles fazem com mais destreza e agilidade que eu. Claro que prefiro que eles façam por mim. Mas se não tenho, não me desespero por causa disso. O homem que quero é o homem moderno que combina com essa mulher independente aí, que é companheiro, que entende e que ri desses discursos vazios porque sabe que é tudo da boca para fora... Aliás a noite não acabou por aí né. Lá fomos nós, por volta da uma da manhã, continuar a noite ao som de samba-rock... Enlouquecidas, eu e M (minha eterna companheira para essas loucuras), saímos pela cidade, com cerveja na mão, cigarro na outra, o som no último volume, cantando entusiasticamente "Tell me that you'll open your eyes". Todo mundo que passava por nós, olhava... E nós nem aí. Ao chegar no bar, ainda furamos fila. Conseguimos autorização para usar bônus, que só valia até às 23h30 e que obviamente tínhamos deixado no carro. Aí saio eu, com o meu salto 10 correndo pela rua para buscar o papelzinho que ia nos fazer economizar R$ 6 reais. Finalmente entramos... Não via ninguém, o salto estava me matando e sinceramente nem lembro como cheguei em casa...

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