Frente a frente com o todo poderoso. Meus deuses. Ainda bem que trouxe essa bota super chique para o trabalho, já que estaria me sentido muito ridícula em estar de tênis na frente do todo poderoso, que por sinal só usa aquela camisa ridiculamente azul. Aliás nem esperava, nunca na vida, estar olhando nos olhos daquele homem. Pobre de mim. Tão ingênua. Mas lá estava eu sentada naquele sofá cor de abóbora avermelhada, numa sala tão clara e branca que mais parecia a sala de espera de algum ano no futuro. O tapete no qual pisava deve custar uma fortuna. Também não entendo nada de tapete. Mas, mesmo assim, já estava me sentindo mal em pisá-lo com minha bota super chique que só custou 50 reais. A ampla sala que eu dividia com mais duas pessoas. Entre eles, o reitor da Federal, que me olhava com uma cara do tipo: o que essa guriazinha, com essa bota estranha (super chique) está fazendo aqui? O chefinho tinha que me largar ali e se enfiar na sala do homem. Eu lá. Sentadinha. Tremendinho. Tentando fazer cara de "tenho um motivo muito importante para estar aqui". E só pensando em como seria o todo poderoso pessoalmente. E o tempo foi passando. Para o meu alívio, as outras pessoas chegaram. As pessoas que como o meu chefinho eram importantes. Eu não. Só fazia tipo. E fomos todos encaminhados para uma outra sala. Uma enorme sala. Com uma mesa tão grande que eu só conseguia pensar em ficar de pé sobre ela e dançar com a minha bota super chique. Essa sala ainda era mais branca e clara que a outra. E com alguns objetos japoneses. Devem ter sido presentes da última viagem que o todo poderoso fez para o oriente. E o tempo passando. E eu ali paisando. Tipo. Bem legal. -Quer café? Ofereceu o distinto garçom. - Não. Mas não recusei a água. E tomei tão rápido. Assim o todo poderoso não veria o quanto tremo quando eu levantava a taça. Mas a essa altura já estava mais calma. E com raiva. Quarenta minutos de atraso. E todos confabulando da melhor forma de se falar com o homem. E nada do homem. Quase uma hora mais tarde, mudança de sala novamente. E lá estava ele. Com sua camisa azul jeans claro e uma blusa azul marinho por cima. Básico. E começou a ler a pauta de reivindicação. E de cara. - Isso não. De repente me deu um medo. Mas um medo. O todo poderoso é medonho, mas me olhava nos olhos. E eu firmemente fitavo-o também. Jamais desviaria o olhar. E eu não disse uma única palavra. Também não era isso que fui fazer lá. Lá só fui fazer meu papel de samambaia do lado do todo poderoso e do meu chefinho.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Frente a frente com o todo poderoso
Frente a frente com o todo poderoso. Meus deuses. Ainda bem que trouxe essa bota super chique para o trabalho, já que estaria me sentido muito ridícula em estar de tênis na frente do todo poderoso, que por sinal só usa aquela camisa ridiculamente azul. Aliás nem esperava, nunca na vida, estar olhando nos olhos daquele homem. Pobre de mim. Tão ingênua. Mas lá estava eu sentada naquele sofá cor de abóbora avermelhada, numa sala tão clara e branca que mais parecia a sala de espera de algum ano no futuro. O tapete no qual pisava deve custar uma fortuna. Também não entendo nada de tapete. Mas, mesmo assim, já estava me sentindo mal em pisá-lo com minha bota super chique que só custou 50 reais. A ampla sala que eu dividia com mais duas pessoas. Entre eles, o reitor da Federal, que me olhava com uma cara do tipo: o que essa guriazinha, com essa bota estranha (super chique) está fazendo aqui? O chefinho tinha que me largar ali e se enfiar na sala do homem. Eu lá. Sentadinha. Tremendinho. Tentando fazer cara de "tenho um motivo muito importante para estar aqui". E só pensando em como seria o todo poderoso pessoalmente. E o tempo foi passando. Para o meu alívio, as outras pessoas chegaram. As pessoas que como o meu chefinho eram importantes. Eu não. Só fazia tipo. E fomos todos encaminhados para uma outra sala. Uma enorme sala. Com uma mesa tão grande que eu só conseguia pensar em ficar de pé sobre ela e dançar com a minha bota super chique. Essa sala ainda era mais branca e clara que a outra. E com alguns objetos japoneses. Devem ter sido presentes da última viagem que o todo poderoso fez para o oriente. E o tempo passando. E eu ali paisando. Tipo. Bem legal. -Quer café? Ofereceu o distinto garçom. - Não. Mas não recusei a água. E tomei tão rápido. Assim o todo poderoso não veria o quanto tremo quando eu levantava a taça. Mas a essa altura já estava mais calma. E com raiva. Quarenta minutos de atraso. E todos confabulando da melhor forma de se falar com o homem. E nada do homem. Quase uma hora mais tarde, mudança de sala novamente. E lá estava ele. Com sua camisa azul jeans claro e uma blusa azul marinho por cima. Básico. E começou a ler a pauta de reivindicação. E de cara. - Isso não. De repente me deu um medo. Mas um medo. O todo poderoso é medonho, mas me olhava nos olhos. E eu firmemente fitavo-o também. Jamais desviaria o olhar. E eu não disse uma única palavra. Também não era isso que fui fazer lá. Lá só fui fazer meu papel de samambaia do lado do todo poderoso e do meu chefinho.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário