Nas andanças da vida encontrei um lar que me encheu os olhos d'água... E, sem muita cerimônia, não deixei as lágrimas escorrerem. Rapidamente me desvencilhei. Disse adeus. Entrei no carro quieta, com olhar distante. Fiquei ali por uns instantes a espera. Não quis acredita no futuro que se vislumbrava. Quis ficar mais um pouco. Escutar histórias. Olhar dentro dos olhos e enxergar as dores, as alegrias. Entender o porquê. Mas o tempo é curto. Não posso parar pra ouvir. Preciso seguir. Hesitei. Liguei o carro e segui. Chorei baixinho. Quis espantar o pensamento que persiste.
Num lar assim um dia estarei. Sou tão nova. Pra que pensar na velhice então? Não tenho filhos, nem nunca terei. O destino assim quis. Um dia estarei só. Somente só. Sem forças pra continuar sozinha. E provavelmente estarei num lugar parecido com esse. Onde os jovens passam sem muito tempo pra dar atenção. Onde as horas se arrastam e se vive bem feliz quando se recebe uma doação. Que seja um lugar lindo, com jardins e canto de passarinhos. Que por mais que não tenha nem um ente querido, que seja calmo...
Sim. Não devia pensar nisso agora. Sim, devia fazer algo. Não é tristeza o que sinto. Não é dor. Parece tão claro. Tão certo. Muitos dizem que estou louca... Sempre fui. Sempre tive certezas irredutíveis que se concretizaram com o tempo. Não é nada demais. É só o tempo passando... Mas por hoje basta. Pensamentos vão e vem... Só isso e fim.

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