sábado, 25 de setembro de 2010
Ver
Vendo novela chorei. Mais uma vez chorei vendo novela. E ele acha tão lindo eu demonstrar que sinto. Mas é mais uma fatalidade. Mais um dramalhão. Sim. Dou ibope pra solidão. Não. Não me engano com tudo. Apenas chorei. A mensagem era clara: não desperdice o tempo, supondo que ele seja infinito. Não é. Um dia antes vi a morte entrelaçar mais uma jovem vida. Um dia antes a vi vestida de negro, zombando da crença de que o tempo está do nosso lado. Um dia antes fiquei a observar os outros, com suas próprias quimeras. E chorei estática, sem pensar. Segui sem pensar. Vi o olhar inconformado de um pai. Vi os olhos vermelhos de um policial. E os grãos de milho emoldurarem um desastre. Vi as cinzas do que era sonho. Vi e registrei, mas não consegui me enganar. Não consegui pensar. Nada vinha. Nenhuma frase bonita. A página em branco pedia palavras. Não conseguia. Era tão simples. Quantas vezes já repeti esse texto. Não conseguia. A página em branco me desafiava. E eu só tremia. Passava a mão pelos cabelos, num ato de desespero inconformado. Não queria. Não deveria ser verdade. Mas era. E eu precisava escrever. E as letras precisavam formar palavras. Frases. Texto. Depois da primeira oração. Não podia. Saí. Fumei um cigarro. E parei com esse vício. Comi. Observei a vida que se segue. De volta ao texto, consegui me distanciar. Escrevi. Era como os outros. Os que não presenciei. Era mais um. Mas não foi ou foi....
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