sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Dias difíceis

As pessoas acham que está simples. E o rosto que eu vejo no espelho há muito não me reflete. Será que alguém no mundo já se sentiu assim? A alma parece que não nasceu para o corpo frágil que lhe foi concedido. A minha alma é vadia. É puta. Um pouco louca. Estarrecida. Minha alma é forte, decidida, inconsequente. Meu corpo é franzino. Meu rosto é angelical com o nariz enorme. E os olhos de jabuticaba que se tornam espelho de uma alma presa.
Minha alma está encarcerada num mundo objeto sem causa. Num mundo que ela não se encaixa. Não me encaixo. E quando digo que estou cansada. Não é meu corpo. É minha alma, que cansou de viver enclausurada. Censurada. Minha alma quer voltar a ser livre, quer ser feliz. Não quer padrões. Não sou normal. Não faço parte.
Sou avesso. Minha alma é. Meu corpo, sim, tá aí se prostituindo na verbarização daqueles que pensam saber sobre o que se passa com minha alma. Ela ninguém conhece. Ninguém sabe dizer. E afinal tenho que concordar que um pássaro que nada tem é mais feliz que eu, com minha alma condenada.

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