segunda-feira, 2 de julho de 2007

Palavras que não quero ouvir

Primeiro eu, depois o mundo. Pode parecer egoísmo... Mas não, é só um pouco de mim. Mais um pouco de mim. E ele sorri. E não percebe minha dor. A dor que escondo de todos, dizendo que é só mais uma preocupação. A dor que escondo de mim mesma. A maioria dos dias. E sorrio naturalmente. E encanto os outros, mas não ele. Ele só sorri e me seduz... E eu me deixo levar, como se ele fosse mais um... Como se fosse possível não desejá-lo no dia seguinte.
As risadas no escuro... O toque no escuro. O beijo no escuro. Não precisa luz, ele conhece cada pinta do meu corpo. Conhece o meu caminho, mas desconhece ou ignora minha dor. Qual a razão de ainda esperá-lo? Como se fosse possível. Como se um dia ele fosse capaz de entrar pela minha porta e me chamar "minha". Não. Isso é só mais uma ilusão. Preciso esquecê-lo. Vou entregar-me completamente aquele outro. Vou fazê-lo me amar e no fim ele estará sofrendo, porque não serei capaz de sentir o mesmo. Não, não me permito errar assim outra vez.
E os fatos continuam teimando em se repetir. E continuo teimando em não deixar. É assim que sigo... Controlando desejos. Dissimulando meu ser. E penso em morte. E ando distraída. Sem pena de ninguém. E não tendo coragem de pedir que volte, porque não suportaria ouvir novamente o que o passado escondeu de mim. Não, desta vez não. Agora minto. Porque tudo acontece de novo, mesmo eu seguindo outra trilha.
Quem inventou essa merda que chamam amor? Quem disse que era bom? Por que a cinderela e princípe vivem felizes para sempre? Não há "para sempre". O "para sempre" acaba numa conversa num bar. Onde você segura o choro... mas não dorme a noite toda, tentando acreditar nas palavras que ainda soam no seu ouvido. É o fim. Mas não acaba ali. Na mesa do bar, no último gole da cerveja. Vive no ser que teima em seguir adiante. Mas o único jeito é voltar lá e deixar toda essa merda de amor no último gole da cerveja já que não sou capaz de arriscar e escutar as palavras que não quero ouvir.

Nenhum comentário: