É quando se está distraído que as melhores coisas acontecem. Depois de jogar tudo para o universo. Anseios. Desejos. Temores. Senta e espera. Ou vive e espera. Prefiro a segunda. Isso sem esperar muito. Nunca se sabe. E por nunca saber é que de repente, do nada, surge alguém. Um presente do universo. Mas, como só coisas que acontecem comigo, o presente vem com prazo de validade quase expirando. E eu tento aproveitar. Sentir sem sentir. Deixa fluir com os pés presos no chão. Racionalizar. Não se racionaliza emoções. Quantas vezes disse isso. Disse para fazer outros entenderem que esta vida é uma só e a gente tem que mergulhar de cabeça. Mas cheia de medos. Medos escondidos. Medos que machucam. Não consigo mais deixar as emoções me levarem. Se for para sofrer, que venha depois. Só aproveitar os momentos ao lado do melhor presente que recebi. E entro em conflitos. Querendo viver tudo que me permitir. E ao mesmo tempo tentando não me envolver tanto. Mas ele é tão lindo. E não estou falando de beleza física. Apesar de que ele é lindo nesse sentido também. Ele me olha nos olhos e parece que me lê por dentro. E ele fala o que sente com tanta sinceridade que assustaria outra pessoa. Mas é exatamente isso que eu pedi ao universo. Alguém exatamente assim. Nada mais do mesmo. Tá bom! E nessa altura do campeonato você deve estar se perguntando porque tanto receio de se envolver. Na verdade se estou escrevendo tudo isso é porque já estou envolvida. O receio é até que ponto me envolver sem me machucar, sem sofrer. Acontece que tem um oceano entre nós. O universo brincou comigo. Mais uma vez... E o que me resta fazer? Sentir... Tudo para mim é assim mesmo. Quando vem algo muito bom, já me pergunto: o que tem de errado? Mas vou sentir... Até o dia da partida. E daí vou prestar mais atençaõ no oceano...
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