quarta-feira, 30 de abril de 2008

Completamente...

Acordo no meio da noite com uma dor tão profunda que não consigo conter as lágrimas. Sei que amanhã os olhos inchados vão revelar que a noite não foi boa. Muito pelo contrário. E já não sei se o que faço, faz-me bem ou não. Choro compulsivamente na madrugada vazia. Tudo ao redor me faz pensar. Minha vida, meus sonhos numa fronha... E isso me enlouquece. Como contar a minha vida? Que fatos revelar, o que esconder. E como traduzi-los em linguagem teatral. Pouco tempo. Muita coisa. E revejo minha vida. "Metade de mim é saudade. A outra metade também". Essa é minha vida. Seja bem vindo. Só não passe da porta. Lá dentro está tudo tão escuro. Nem eu me encontro. E de repente me vejo naquela escuridão, rememorando coisas que gostaria de deixar lá. Só saudade. Muita dor. Muita alegria. Saudade. Nada me resume tão completamente. E penso em Cássia Eller: "quem sabe a vida é não sonhar." E continuo, na verdade, sendo a mesma garotinha que esperava o ônibus da escola. Tão cansada, tão tímida, tão perdida, tão infelizmente apaixonada. E tudo mexe tanto comigo. Que em algum momento gostaria de sair correndo, gritando. De me enfiar dentro de mim e ficar perdida. De dizer: eu não aguento, eu não consigo, eu não suporto essa dilaceração. E não tenho coragem. E me surpreendo com o que sou capaz... E me sinto conturbadamente feliz. E mesmo assim choro. A mais louca terapia que escolhi fazer. E cada vez mais confusa, sinto o vazio que se completa sozinho, que se completa comigo...

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