Falta pouco mais de um mês para as festas de fim de ano. Natal, Ano Novo. Famílias felizes em volta de mesas fartas e muitos, mas muitos, gastos. Algumas pessoas se planejam. Controlam os impulsos consumistas. Mas na verdade, tudo leva ao desejo quase irresistível de comprar. Promoção disso. Liquidação daquilo. E quando passa esse fervor eletrizante e as borbulhas dos champanhes são vagas lembranças é que o pesadelo começa.
As contas chegam. O estouro do cartão de crédito é sentido no Acre. O limite do cheque especial também foi parar em algum lugar bem distante. Os crediários vencem de uma forma desprovida de sensatez. O 13º salário acabou antes de se conseguir soletrar Pindamonhangaba. Em janeiro, o salário todo comprometido e mais contas. Apesar de no lado sul do hemisfério não nevar em janeiro, as faturas vencidas mais parecem uma bola de neve sem fim.
E a bola cresce. E cresce. E toma proporções inimagináveis. O nome, digníssimo nome, fica sujo na praça. Serasa, SPC, SCPC. E a pessoa fica o ano todo naquele aperto tangível, pensando em como acabar com o sufoco. Nem pode imaginar o dia em que voltará a usar o CPF sem receios de ouvir de alguém: sinto muito, mas consta que há uma restrição ao seu nome no sistema. Buracos. A vergonha toma conta do ser, que sabe muito bem porque há “restrições”. Não conseguiu arcar com as dívidas que se comprometeu. Deu um passo maior que a perna. Ficou desempregado. Os motivos são tantos. Mas o desejo de se quitar o débito também é grande. E esse é um bom momento para se fazer isso.
Quem se encontra nessa situação desesperadora pode renegociar a dívida. Têm sido lançadas, ultimamente, várias campanhas para regularizar a situação daqueles que estão com o crédito negativo. Ontem (3) foi a Acit que lançou a “E a busca do crédito perdido”. No mês passado a Caixa Econômica Federal iniciou um trabalho de recuperação de crédito que vai até o fim de ano. São oportunidades raras e únicas de voltar a ter o nome limpo.
Muitos dizem que essas campanhas são benefícios aos maus pagadores. Até pode ser. Mas também é para o trabalhador honesto, que se endividou e não conseguiu cumprir com os seus compromissos por “ene” motivos que podem inclusive fazer chorar um taciturno. Para essas pessoas, as campanhas são oportunidades de voltar a dormir tranquilamente. E fazer deste um fim de ano melhor.
| Editorial publicado no Jornal do Oeste em 03/11/2010 |
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