sábado, 6 de novembro de 2010

Loucuras de fim de ano

Falta pouco mais de um mês para as festas de fim de ano. Natal, Ano Novo. Famílias felizes em volta de mesas fartas e muitos, mas muitos, gastos. Algumas pessoas se planejam. Controlam os impulsos consumistas. Mas na verdade, tudo leva ao desejo quase irresistível de comprar. Promoção disso. Liquidação daquilo. E quando passa esse fervor eletrizante e as borbulhas dos champanhes são vagas lembranças é que o pesadelo começa.
As contas chegam. O estouro do cartão de crédito é sentido no Acre. O limite do cheque especial também foi parar em algum lugar bem distante. Os crediários vencem de uma forma desprovida de sensatez. O 13º salário acabou antes de se conseguir soletrar Pindamonhangaba. Em janeiro, o salário todo comprometido e mais contas. Apesar de no lado sul do hemisfério não nevar em janeiro, as faturas vencidas mais parecem uma bola de neve sem fim. 
E a bola cresce. E cresce. E toma proporções inimagináveis. O nome, digníssimo nome, fica sujo na praça. Serasa, SPC, SCPC. E a pessoa fica o ano todo naquele aperto tangível, pensando em como acabar com o sufoco. Nem pode imaginar o dia em que voltará a usar o CPF sem receios de ouvir de alguém: sinto muito, mas consta que há uma restrição ao seu nome no sistema. Buracos. A vergonha toma conta do ser, que sabe muito bem porque há “restrições”. Não conseguiu arcar com as dívidas que se comprometeu. Deu um passo maior que a perna. Ficou desempregado. Os motivos são tantos. Mas o desejo de se quitar o débito também é grande. E esse é um bom momento para se fazer isso.
Quem se encontra nessa situação desesperadora pode renegociar a dívida. Têm sido lançadas, ultimamente, várias campanhas para regularizar a situação daqueles que estão com o crédito negativo. Ontem (3) foi a Acit que lançou a “E a busca do crédito perdido”. No mês passado a Caixa Econômica Federal iniciou um trabalho de recuperação de crédito que vai até o fim de ano. São oportunidades raras e únicas de voltar a ter o nome limpo.
Muitos dizem que essas campanhas são benefícios aos maus pagadores. Até pode ser. Mas também é para o trabalhador honesto, que se endividou e não conseguiu cumprir com os seus compromissos por “ene” motivos que podem inclusive fazer chorar um taciturno. Para essas pessoas, as campanhas são oportunidades de voltar a dormir tranquilamente. E fazer deste um fim de ano melhor.

Editorial publicado no Jornal do Oeste em 03/11/2010


Nenhum comentário: