sábado, 23 de junho de 2007

Está tudo aqui

Acordo com uma vontade terrível de gritar. Tenho que parar de sonhar com ele. E parar de acordar às três horas da manhã como se fosse normal. Duas noites seguidas não é possível. Ontem, sonhei que estava brigando. Xingava e surtava. Não sou disso. Sou uma pessoa calma. Para eu brigar da forma que sonhei, só me tirando muito do sério. E mesmo assim, tenho que estar saturada. Esta noite sonhei que estavámos juntos novamente... Tenho que parar de encontrá-lo por acaso...
E voltei a sentir ciúmes. Como posso sentir isso por alguém que não quer mais nada comigo? O ciúme me sufoca. Torna-me um ser pior. Pior do que já sou. Tenho que tirá-lo da minha cabeça, do meu inconsciente. Assim nada vai aparecer para mim. Assim, tudo o que encontro são homens sem rostos que só preenchem a minha cama. E que desejo que desapareçam antes que acorde. Porque ao olhar para o lado saberei que não é ele.
Como tirar alguém da cabeça? Sendo que o meu desejo é tê-lo novamente comigo. Com ele gostaria de casar. Ter filhos. Coisa que não quero. Racionalmente, não tenho capacidade para isso. As plantas da minha casa morrem, por falta de cuidado. Não sei se conseguiria cuidar de um animalzinho. Talvez peixe. E acho que ele morreria também. Mal cuido de mim...
Mas por ele mudo tudo. As coisas que estão bem no seu devido lugar... Eu mudo, para agradá-lo, eu mudo. Já mudei. De estado. Já esqueci quem eu era. O que eu gostava. Isso não me fez bem. Não fará. Mas então, qual a razão desse desejo irracional? Não devia sentir isso. Já devia ter passado. Mas não. Está tudo aqui, como antes...

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